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Publiquei este texto em 2021 com uma ideia simples: o verdadeiro risco não é morrer antes da reforma, é chegar à velhice sem meios para viver com dignidade. Quatro anos depois, essa ideia tornou-se ainda mais evidente. Na última década, assistimos a uma revalorização significativa do imobiliário. Quem conseguiu, dentro das suas possibilidades, investir de forma consistente, criou uma almofada que hoje faz a diferença: seja através de rendimentos, seja através da valorização do património. Entretanto, o valor real das reformas continua pressionado e a incerteza sobre a sustentabilidade do sistema mantém-se. Isto não é uma questão ideológica. É uma questão prática. Depender exclusivamente da reforma é um risco objetivo. E é um risco que se prolonga no tempo exatamente aquele que mais pesa, porque é vivido. O texto que republico não é um apelo ao risco. É um alerta para a responsabilidade: acautelar o futuro enquanto há tempo para o fazer O imobiliário não é a única solução, mas tem uma característica que continua a ser decisiva: permite transformar rendimento atual em segurança futura. E isso, no fim, é o que está em causa. O PROBLEMA É NÃO MORRER… Um contribuinte com 25 anos de idade, que inicie os descontos no 5º escalão (cerca 250 € / mensais) tem como expectativa alcançar a reforma aos 65 anos de idade. A pensão de reforma será de 8100 € (579 € x 14 meses). Se optar pela inscrição na Segurança Social (para o mesmo esforço mensal) a reforma vai ocorrer aos 69 anos, para uma pensão anual de 12.600 € (913 € x 14 meses). Haverá quem julgue mais benéfico alcançar a reforma mais cedo, mas a meu ver, numa profissão liberal em que é habitual trabalhar para além dos 65 anos, considero mais avisado optar pela uma pensão mais elevada (no caso 57% superior), mesmo que mais tardia, dado vamos perder gradualmente a capacidade de trabalho, sendo por isso mais relevante ter um rendimento superior quando a idade for mais avançada. Ainda assim, confiar a nossa subsistência numa pensão de reforma desta grandeza é uma garantia de indigência. Claro está que é tendencialmente impossível convencer um jovem de 25 anos de que é agora o momento para começar a construir a sua reforma. Não é difícil de perceber porquê:
“…abster-me de viver a vida, quando não sei se morro antes da reforma!” Sem dúvida que morrer antes da reforma é uma possibilidade, mas se ocorrer garanto que não te vais arrepender… porquê estás morto. No entanto, se aos 70 anos tiveres de sobreviver com 579 €, vais certamente arrepender-te. Porque estás vivo! Nas apostas, corres o risco de viver arrependido por mais 13 ou 14 anos! A evolução das sociedades (ocidentais), muito particularmente perante o espetacular aumento da esperança de vida, impôs a criação de um caminho alternativo às soluções seculares de garantia na velhice, que passavam por poupar e ter muitos filhos. Foram, assim, criados os fundos de pensões, públicos, privados ou até mistos. Na generalidade dos países europeus a contribuição para um fundo de pensões passou a ser uma imposição legal, pois o estado considera que temos (enquanto cidadãos) dois problemas, um que não podemos controlar e outro que não sabemos controlar:
Investir o dobro do mínimo exigido, ou seja, na ordem de 500 € / mês, subordinado aos seguintes três cenários:
Cenário 1 – Investir na CPAS O resultado desta opção e alcançar a reforma aos 65 anos de idade com um rendimento global anual de 16.231,04 €. Ao longo de 40 anos de carreira terá investido 241.324,80 €. O retorno do investimento será alcançado aos 79/80 anos de idade. Cenário 2 – Poupar e investir em imobiliário (sem recurso a crédito) Neste caso vamos contribuir para CPAS no 5º escalão (251 € / mês) e vamos “juntar” os restantes 251 €. Decorridos 20 anos vamos ter em caixa cerca de 60.000 €. Com este valor vamos investir em imobiliário. O rendimento líquido anual será na ordem de 2.000 €, tomando por base os seguintes fatores:
Decorridos mais 20 anos vamos ter um imóvel de 60.000 € e 100.000 € em dinheiro. Investindo os 100.000 € num novo imóvel, o rendimento global anual do imobiliário será de 5.200 €. A este valor acresce a pensão de reforma que será de 8.115 €. O resultado final será então de um rendimento anual de 13.300 € e património imobiliário de 160.000 €. Cenário 3 – Investir em imobiliário com recurso a crédito Para esta opção vamos ter que aceitar algum risco, muito particularmente decorrente da instabilidade das taxas de juro e as eventuais crises imobiliárias. Porém, nas contas que apresento, foram considerados fatores acima referidos e ainda a taxa de juros de 2%. Para um empréstimo de 90.000 € vamos ter uma prestação mensal de 475 €. Este valor será parcialmente compensado pelo rendimento do imóvel. Resta suportar o diferencial que será na ordem de 255 € / mês. Findo o primeiro ciclo de 20 anos, o empréstimo está totalmente pago. Voltamos a um novo ciclo, mas desta vez com mais disponibilidade para investir. Vamos conseguir um empréstimo de 160.000 €, a amortizado à ordem de 850 € / mês. Este será mais uma vez compensado com o rendimento líquido deste novo imóvel (390 €) e o rendimento líquido do 1º imóvel (220 €), restando assim um esforço financeiro na ordem de 240 € / mês. Findo o segundo ciclo de 20 anos e chegados à idade da reforma o resultado é o seguinte:
Conclusão:
Confirmando o que já tinha concluído em 2016, não encontro qualquer tipo de vantagem em optar pelo aumentar o escalão contributivo na CPAS. De salientar que, sob o ponto de vista de rentabilidade, a CPAS não é minimamente atrativa e os eventuais bons resultados dos seus ativos imobiliários não está a ser devolvida aos contribuintes, mas antes a ser canibalizada por um conjunto restrito de pensionistas, aqueles que, ao abrigo do regulamento de 1994, garantiram um retorno de 50% / ano, quando aos novos contribuintes lhes é concedido 7%. Dito de outra forma, par uns o retorno ocorreu aos 67 anos de idade (2 anos depois de reformados) para os novos contribuintes, irá ocorrer, a correr bem, muito perto dos 80 anos de idade (15 anos após a reforma). Nota final: Na projeção da pensão de reforma foram utilizados os dados constantes do estudo comparativo entre a CPAS e Segurança Social e, propositadamente, não se encontrou em linha de conta com a inflação. A inflação tem uma influência transversal sobre todos os cálculos, ditando a atualização da contribuição e subsequentemente, da base de cálculo da reforma. Também se irá refletir na taxa de juro e no aumento da prestação do empréstimo. No entanto, os imóveis tendem a valorizar em linha com a inflação, e os cenários conhecidos também concluem pelo aumento das rendas, habitualmente acima da inflação uma vez que o recuso ao crédito se torna mais difícil, pressionando positivamente o mercado do arrendamento. Encontra-se disponível um excel onde poderá simular outros cenários. Armando A. Oliveira Solicitador | Agente de Execução 3 de abril de 2021 Aceder à publicação original aqui
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AutorO meu nome é Armando A. Oliveira, sou solicitador de 1993, agente de execução desde 2003 e técnico de cadastro predial desde 2024 Archives
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